Qual a Diferença do Extrato CO2 para outros Extratos?

Extrato é uma palavra bem ampla que pode causar uma certa confusão, pois pode ser feita de várias formas…

Conseguimos usar um álcool, vinagre, óleo, glicerina como solvente para a criação de um extrato:

  • O álcool é utilizado tanto para preservação quanto para criação das tinturas. Você pode optar por vodka, gin, conhaque ou outro álcool que tenha o proof de 80 a 100%. O proof de 100%, significa 50% água 50% álcool, ou seja, é ótimo para conservação de suas receitas. O proof de 80%, é 60% água e 40% álcool, um pouco mais leve.
  • O vinagre é uma bebida fermentada feita através da maçã, possui vitaminas, minerais e polifenóis. Você pode usá-lo no lugar do álcool para fazer tinturas mais leves, indicados para crianças e pessoas sensíveis ao álcool. Pode ser usado o vinho tinto no lugar do vinagre de maçã também.
  • A glicerina é obtida a partir de gorduras vegetais, também pode ser feita de gordura animal, porém aqui destacamos o uso pelo vegetal. Ela possui um sabor mais adocicado, ideal para o uso em crianças, assim como o vinagre de maçã.
  • O mel é um alimento açucarado, produzido por abelhas que processam o néctar das flores. É antibacteriano, possui sais minerais e proteínas. Podemos utilizar em tinturas, chás, xaropes e cataplasmas. O melado é feito através da cana de açúcar e pode substituir o mel nas receitas. Possui propriedades, como fósforo, ferro e cálcio.
  • O óleo mais conhecido por herbalistas para fazer a maceração é o de oliva extra virgem devido as suas propriedades incríveis, porém você pode fazer com vários outros óleos, como: girassol, jojoba, semente de uva, amêndoa, damasco entre outros.

Neste veículo conseguimos infundir as ervas picadas deixando descansar algumas horas, dias ou semanas, durante o processo é aquecido ou feito uma agitação mecânica para quebrar as células da planta, depois é filtrado esse solvente.

Este é o método popularmente conhecido como extrato, mas nessa forma de extração, os componentes finais mostram diferenças em termos de quantidade e qualidade.

Um exemplo disso é a cosmetologia orgânica, é aceito apenas o método de extração por etanol como uma forma de extrair o ingrediente ativo.

Quando usamos solventes voláteis (metanol, etanol, n-hexano, acetona, clorofórmio), eles são evaporados e condensados para uma nova utilização e, mesmo sendo “removido/evaporado”, ainda é considerado extrato.

Esse resto de extrato das ervas pode ser usado novamente dependendo da finalidade desejada desse extrato.

Hoje, na indústria cosmética, farmacêutica e alimentícia é comumente usado a extração por etanol e hexano.


Os Extratos por CO2

De forma geral, os extratos de CO2 possuem os mesmos componentes da erva que os óleos essenciais ou óleos vegetais.

Ou seja, isso pode confundir um pouco na hora de estudar as suas composições pois todos possuem o INCI como “Extract”, porém sempre tenha em mente:

  • Um óleo infundido de alecrim é equivalente ao extrato de CO2 de alecrim.
  • O extrato de CO2 de semente de cenoura equivale ao óleo vegetal prensado a frio de semente de cenoura.
  • O óleo essencial de Patchouli é semelhante ao extrato de CO2 de Patchouli.

Geralmente uma maceração é feita em temperaturas abaixo de 40°C. A concentração de ativos são menores em um óleo macerado do que em um extrato de CO2.

O dióxido de carbono (CO2) é o gás conhecido pelas mudanças climáticas, porém quando bem controlado não é tóxico, não possui cor nem cheiro.

O CO2, quando comprimido, pode agir como um fluido podendo dissolver o material com baixo peso molecular não polar no processo de extração supercrítico (SCF).

Esse processo “supercrítico” vai agir como solvente lipofílico (solúvel em óleo), como as moléculas voláteis terpenóis, sesquiterpenos, monoterpenos entre outros. Os tocotrienóis, triacilglicerídeos e tocoferóis, o esqualeno e a grande parte dos carotenóides e fitoesteróis.

Existem algumas desvantagens na extração por SCF, como:

  • São mais caros e passam por processos técnicos diferentes da extração de maceração;
  • Geralmente possui uma cor mais forte no extrato;

Suas vantagens neste método de extração, diferente dos outros extratos e prensagens a frio, são:

  • Possui a validade maior em comparação com os outros métodos de extração;
  • Possui um impacto ambiental melhor;
  • Os componentes que são sensíveis ao calor e oxidação permanecem estáveis;
  • São produtos mais finos quando comparados aos convencionais;


Conclusão

Apesar de todos os extratos terem o INCI em comum “Extract”, eles podem variar de material dependendo da planta e extração utilizada, como óleos essenciais, óleos vegetais (carreadores) e extratos infundidos.

Geralmente possuem um valor mais alto no mercado justamente por ter uma alta qualidade e componentes ativos no produto. Além de ter uma alta validade e menor dosagem para aplicação.

É difícil identificar quais os componentes estão inclusos na palavra “Extract”, alguns podem conter fragrâncias alérgenas voláteis, como o cinnamal presente no óleo essencial de canela.

Os alérgenos dos extratos de CO2 podem ser os mesmos dos óleos essenciais. Você pode pedir a lista de alérgenos na hora da compra.

De toda forma, apesar do alto custo, podemos considerar o uso de um extrato de CO2 como um ingrediente ativo muito útil e funcional na cosmética natural.

E você, já fez o uso do extrato de CO2? Comenta aqui pra gente saber!

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