50 Tons Naturais na Cosmetologia Natural

Quando entramos no universo da cosmetologia natural, buscamos uma alternativa mais “natural” longe de químicas nocivas ou ingredientes sintéticos.

Porém, essa é uma visão ofuscada com relação à Cosmetologia Natural.

Durante a minha jornada na cosmética natural (mais de 6 anos), eu vi muitas definições de “produtos químicos” e “naturais”. E foi nesse aprendizado durante os anos que conheci cada vez mais a fundo os 50 tons naturais…

Eu ouvi e li muito sobre a segurança dos ingredientes naturais serem maiores que dos ingredientes sintéticos. E, claro, como todo extremismo sempre tem uma inconsistência!

Se você parar para analisar, o mercúrio é um ingrediente natural mas nem por isso vou usar ele nos meus cosméticos, não seria muito seguro!

Assim como alguns ingredientes sintéticos, como os surfactantes Syndets, não são ingredientes inseguros, muito pelo contrário!


Os ingredientes naturais possuem muitos benefícios e não são facilmente replicados ou substituídos por ingredientes sintéticos. Porém, nem todos os ingredientes naturais servem 100% para todos, como por exemplo, óleo de nozes.

Algumas pessoas são alérgicas a nozes, então provavelmente se você é alérgico deverá ficar longe de cosméticos que contenham esse ingrediente.

Cada pessoa possui um metabolismo e características diferentes da outra, não é o uso de cosméticos naturais que vai padronizar o seu organismo.

Devemos respeitar o equilíbrio e o uso de ingredientes naturais conforme o seu padrão e singularidade.

Um bom exemplo que podemos citar é do Foliculite por Pityrosporum, também conhecida como acne fúngica. É muito semelhante à acne causada por fungos na pele.

É um fungo conhecido por se alimentar de sebo e ingredientes que costumamos incluir na cosmética natural, como óleos e manteigas vegetais. É um ambiente maravilhoso para este fungo causar problemas sérios nessa pele.

E um ingrediente que não alimenta esse fungo é justamente o óleo mineral e caprylic/capric triglycerides isolados.

Sim, isso pode parecer contraditório e, segundo o Osmólogo Fernando Amaral “a aplicação de óleos minerais, estes sim oclusivos, têm a propriedade de fechar os poros e evitar a penetração de água, daí a sua utilização em bebês, nas trocas de fraudas. O propósito de utilizar o óleo vegetal na pele é justamente o fato de ele integrar-se rapidamente ao manto hidrolipídico, aumentando a umectação da pele, mas sem ocluí-la totalmente. Pode-se dizer que os óleos vegetais se fundem à parte oleosa do manto hidrolipídico, contribuindo, assim, para o controle da perda de água transdérmica e para o fornecimento de ácidos graxos como fonte de energia para o meio celular.”

Então se você tiver esse fungo certamente não vai querer usar os óleos vegetais para alimentá-los! E isso não faz de você uma pessoa  “menos natural”, apenas você deve considerar o que é SEGURO pra você no momento.


50 Tons Naturais na Cosmetologia Natural

A segurança, eu diria que está acima de qualquer termo “natural, sintético ou químico”.

Mas, ainda assim, entre os grupos de formuladores naturais e na internet, podemos encontrar muitas pessoas que julgam o natural ser superior a qualquer outra coisa e, sinceramente, esse extremismo não é saudável…

Essas pessoas optam por preferir não usar os Syndets, Polawax ou Óxidos por achar que eles são “tóxicos ou sintéticos” e são, na verdade, ingredientes SEGUROS.

Se você já me segue a um tempo já leu o nosso post do qual falamos da diferença entre o natural, sintético e químico, caso ainda não leu é só clicar AQUI.

Também temos um post do qual explicamos sobre a cera Polawax, basta clicar AQUI.


Os Syndets, como já falamos, são surfactantes sintéticos derivados naturais. São muito utilizados para fazer as barras de shampoo.

Eles deixam o pH dessa barra mais próximo ao pH do nosso couro cabeludo, o que um shampoo Cold Process não tem! O cold Process possui um pH muito elevado fazendo com que, a longo prazo, prejudique a saúde dos fios.

A cera polawax é a mesma situação, é uma cera derivada vegetal que é muito julgada na cosmética natural por poder conter contaminação cruzada de ingredientes tóxicos. Mas isso é um erro, dada a explicação que fiz no post falando sobre essa cera ali em cima.

Ou a pessoa não querer usar os óxidos sintéticos (semelhantes aos naturais) só porque é sintético. Particularmente, isso é uma tolice, partindo do princípio que os óxidos originais naturais possuem muitos metais pesados que podem vir a se acumular no seu organismo.

O uso dos mesmos porém, sintetizados, seria uma alternativa ABENÇOADA da qual as pessoas podem colorir suas formulações sem se preocupar se tem metais pesados, se vai oxidar ou perder a coloração com o tempo, como é o caso das cores botânicas.

E isso pode ser uma opção sua e tá tudo bem se você tomou essa decisão e acha melhor ficar sem esses ingredientes.

Mas para começo de conversa, não existem leis que regulamentam a “Cosmética Natural”. Ou seja, você supor que “tal coisa pode ou não pode na cosmética natural” é ridículo…

Agora, me pergunta como eu sei disso?! Depois de fazer muitos cursos de cosmética natural e de levar vários tapas sobre o termo “natural” a gente acaba entendo MUITA coisa!

E eu estou me referindo à Cosmética Natural, o que é um pouco diferente da Cosmética Orgânica, como já falamos no post AQUI também.

Também vejo uma certa confusão com os termos Orgânicos e Inorgânicos. Podemos ver através de 2 exemplos, do ponto de vista da química e do ponto de vista da agricultura:

  • O orgânico, na química, é definido como algo que contém carbono, ou ligação CH ou CC. Então todos os seres vivos, animais, plantas etc são considerados orgânicos, já a água, sal, argilas são considerados inorgânicos.
  • Na agricultura, o orgânico deve ser não-OGM e sem herbicidas, pesticidas e fertilizantes. Então, caso encontre nos mercados argila escrito “orgânica” é meio contraditório! A mesma coisa acontece com a água, você não pode afirmar que só consome alimentos orgânicos, a água por si só é considerada inorgânica e, com certeza, você consome ela…

Eu entendo que a cosmética natural se dissipou e continua a aumentar devido a algo que as pessoas fizeram ou que usou e funcionou muito bem para elas e, através delas é compartilhado com mais e mais pessoas.

Mas, se você analisar, até mesmo os produtos convencionais nos mercados não servem para todas as pessoas 100%. A sua pele ou cabelo pode reagir diferente ao uso de um mesmo ingrediente que tal pessoa indicou e achou maravilhoso!

Então por exemplo, o uso de óleo de coco é bem diversificado, podemos usá-lo no cabelo, rosto, corpo…

Mas eu não usaria só ele como um condicionador diário, isso acabaria deixando meu cabelo pesado e oleoso. Agora, se eu usar um BTMS para fazer o condicionador de uso diário, seria maravilhoso!

Se você quer uma dica, no aprendizado da cosmética natural é fundamental que você não se compare!

“Ah, porque fulana fez uma receita com tal ingrediente e funcionou pra ela. Fui tentar fazer igual e não deu muito certo pra mim!”

E tá tudo bem se não deu certo para você, o processo é individual, os acertos e frustrações com os erros também!

Definir algo como “bom” e “ruim” é muito limitador, ficamos muito restritos. Todos os ingredientes possuem pontos fortes e fracos, cada macaco no seu galho!


Indo Mais A Fundo no Natural e Químico

Quando usamos a palavra “natural” o buraco é mais embaixo. A palavra natural, se você for olhar no dicionário, se refere ou pertence à natureza/provocado pela natureza.

Todos nós concordamos em dizer que grama, borboleta, árvore, coco etc são naturais e que silicone, vaselina e plástico não são naturais.

Porém, existe um mar no meio do processo desses dois extremos de onde começa o natural e onde que termina.

Por exemplo, a mandioca/aipim/macaxeira que é produzido por seres humanos há muitos anos, quando processamos essa mandioca para criar a farinha de mandioca, ainda é natural?! Ou o cachorro, que foi domesticado e “mudado” por humanos com a origem dos lobos, ainda seria natural?

Percebeu a complexidade de uma palavra? Isso vale para todos os ingredientes que usamos na cosmética natural, como óleos prensados a frio, óleos essenciais destilados, ceras, hidrolatos, ingredientes sintéticos, pigmentos entre outros…

E os ingredientes sintéticos acabam sendo caracterizados por muitos como “não naturais”. Certamente não sabemos o que se passa no processo de fabricação nos produtos feitos em laboratório, mas também não conseguimos replicar esses produtos, como surfactantes e emulsificantes em casa.

Agora vamos analisar a palavra “química”, tudo o que você vê é química. Essa palavra possui um amplo espectro se for analisar o termo como um todo.

Nos cosméticos, o termo químico remete muito a ingredientes tóxicos mas que, na verdade, o significado seria mais semelhante a ingredientes naturais que passam por processo químico mudando sua estrutura final.

Seria como comparar a escolha de uma laranja fresca com um suplemento de vitamina C.

Podemos sim dizer que ingredientes como BPA, 4-metilbenzilideno cânfora, metais pesados, são tóxicos para nosso organismo. É importante que você leia mais pesquisas a respeito dos ingredientes, tanto da sua alimentação quanto nos produtos que for usar na sua pele.

E o mais incrível de se trabalhar com a cosmética natural é justamente saber quais ingredientes estou usando e a função de cada um, ou seja, eu sei exatamente o que tem no meu cosmético.

Usar a palavra natural nem sempre é o mais seguro, só porque veio da natureza não significa segurança. Aranha, crocodilo são considerados “naturais”, mas não é muito seguro estar perto de um!

Então, natural não é um indicador de segurança. Óxidos de ferro e ultramarinos são sintetizados, os naturais podem conter metais pesados. E muitos formuladores que trabalham com saboaria evitam o uso de óxidos por serem sintetizados, mas o hidróxido de sódio que também é sintetizado para fazer o sabão está tudo bem usar. Vai entender…

A mesma coisa acontece com o uso de conservantes nos cosméticos naturais. A maioria não são “naturais” e, os que são, não funcionam muito bem.

Mas se você trabalha com a água, com certeza deve incluir algum conservante nessa formulação, caso contrário vai possuir um monte de bactérias e microrganismos indesejáveis.

Então, se você tiver dúvidas sobre certos ingredientes ou achar o nome deles muito estranho, faça uma pesquisa individual! Procure por artigos científicos recentes, faça uma avaliação e tire sua própria conclusão.

Você pode usar alguns sites para pesquisa, como:

Sempre veja também a Ficha de Dados de Segurança desse ingrediente, você pode verificar com o próprio fornecedor ou pesquisar no Google.

E se você realmente quer colorir suas formulações, você certamente vai ter que usar alguns ingredientes em pó com alto desempenho, como óxidos, micas, dióxido de titânio, óxido de zinco, estearato de magnésio entre outros.

Esses ingredientes vão ajudar na fixação, deslizamento e pigmentação. Sem eles os resultados são falhos e você pode não ficar muito feliz em vê-los.


Gostou do assunto? Quer se aprofundar mais no conhecimento da Alquimia da Cosmetologia Natural?



Referências

- https://rationalwiki.org/wiki/Appeal_to_nature 
- https://simpleskincarescience.com/pityrosporum-folliculitis-treatment-malassezia-cure/ 
- http://puropulence.com/beauty/green-op 
- https://www.humblebeeandme.com/ 
- https://scrubmedownsoap.wordpress.com/2017/05/11/diy-things-you-need-to-know-before-you-begin-and-get-the-facts/ 
- https://scrubmedownsoap.wordpress.com/2017/07/17/question-what-does-it-all-mean-labels-and-misinformation/ 

E-book GRÁTIS: Guia da Alquimia na Cosmetologia Natural

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